quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Desafio


Decidida, a borboleta preparava-se para o novo desafio. Camuflada há dias num tronco de árvore específica, sabia-se segura dos predadores que rondavam o lugar, mas precisava com urgência de seguir sua vida e não mais convinha permanecer imóvel ali.

Era necessário ação qualquer que modificasse sua condição – ou morreria segura e inútil naquele tronco de árvore. Não queria ser inútil. Havia flores esperando para serem polinizadas, muitos jardins desejosos de sua visita, inúmeras crianças ansiando por ver suas cores flutuando nos ares.

A borboleta reunia-se em coragem, toda aquela que sabia ter e mais alguma que não conseguia adivinhar de onde vinha. Estava certa de que, uma vez que se mexesse, não haveria meios de estar novamente segura até que alcançasse o outro lado da floresta. Os predadores a veriam e atacariam – doidos de famintos. Ela teria poucas chances de sobreviver, mas precisava tentar. Antes morrer lutando que perecer inútil.

Assim, a borboleta levantou voo – tão ágil e rápida quanto sua condição de borboleta lhe permitia. Sentiu bicadas de pássaros nas asas, garras que lhe rasgavam as escamas, espinhos que lhe feriam o corpo... Prosseguiu, porém, escapando de tudo, surpresa por ainda estar no ar.

Ao atravessar a zona de perigo, pousou em lugar qualquer para avaliar as perdas. Viu-se com parte das asas esfrangalhada, um ferimento doído no corpo e pequeno trauma numa das antenas. Já não seria mais tão fácil sobreviver com tantas avarias físicas, mas estar viva – naquele instante – lhe parecia mais importante que tudo o mais que existia. Enquanto estivesse viva, poderia ser útil.

E pensar que a metamorfose de lagarta era o ápice de evolução que uma borboleta poderia pretender... Ela agora sabia que as transformações mais importantes jamais poderiam ser vistas – pois que acontecem do lado de dentro...


5 comentários:

Anônimo disse...

Olá, Cecilia.

Boa reflexão, como sempre.
Que Deus ilumine a profundidade de sua reflexão e, naturalmente, do seu ser.
Li um comentário besta, num de seus escritos. O cara está ainda... boiando.
Lenbra que alguém já sintetizou na linha das suas reflexões: "Navegar é preciso, viver não é preciso"?
E também vc me fez lembrar uma frase que encontrei por aí alguns(?) anos atrás:
"Os barcos estão seguros no porto, mas não foram feitos para ele"!

Beijão. Pameve.

Cecilia Teixeira Oliveira disse...

É isso mesmo, a vida nao é um passeio, mas um grande desafio. Eis aí, pra mim, o sentido de tudo...

Quanto ao comentário besta, são apenas brincadeiras entre amigos... Rsrsrs...

Obrigada pela visita!
E "parabéns" pelo comentário!!!
Bjos!!!

Ciro M. Costa disse...

Por acaso o 'comentário besta' é o meu?

Cecilia Teixeira Oliveira disse...

Aiuahiauhuia!!!

Ó, Ciro, considerando que vc é o único (além do "anônimo") que comenta aqui no blog, deve ser sim, mas é opinião dele, por nao conhecer o contexto da nossa longa e antiga amizade...

Detalhe que ele nao citou qual é o comentário besta, então eu deduzi que seja aquele do texto "Sessyllya por Sessyllya"...

Bju!!!

Ciro M. Costa disse...

Foi o que deduzi também...