O Zangão e a Borboleta

(Por Lacerda & Sessyllya)


No meio da floresta, havia um zangão convencido que adorava irritar – com sua arrogância e prepotência – uma borboleta azul. Ele a irritava a noite todinha, depois desaparecia e ficava um tempão sem dar notícia qualquer a ela. Entretanto, pois, de tanto ser irritada pelo zangão, borboleta sentia falta quando ele sumia.

Há quem diga que o zangão, em verdade, era convencido coisa nenhuma. Borboleta é que tinha asas exibidas e afetava-se de miopia para julgar o comportamento alheio. Zangão só a irritava porque ela sofria de dificuldade grande em aceitar as diferenças óbvias que existiam entre ele e ela mesma.

Há também quem diga que a borboleta sentia falta do zangão porque sabia que, apesar da aparência estranha dele e do jeitão tosco que ele tinha, ele a amava mais do que ao mel produzido na colmeia que habitava.

E há ainda quem diga que, no fim das contas, zangão e borboleta eram viciados – ele, no líquido doce que escorria pelas asas azuis da borboleta; ela, no veneno quente que o zangão produzia.